EM PAUTA: MEIO AMBIENTE

EM PAUTA: MEIO AMBIENTE

CIDADANIA_Até o Papa está preocupado com a educação e da conscientização ambiental!

CIDADANIA_TOPO

Em junho de 2016, o Vaticano publicou a nova encíclica “Louvado sejas”, do papa Francisco, sobre o cuidado da casa comum. O documento sobre meio ambiente reitera a necessidade do cuidado com a criação. Nele, o papa fala sobre a mudança climática, a dívida ecológica, a questão da água, a crise ecológica, bem como as mudanças no estilo de vida. “Lanço um convite urgente a renovar o diálogo sobre a maneira como estamos construindo o futuro do planeta. Precisamos de um debate que nos una a todos, porque o desafio ambiental que vivemos e as suas raízes humanas dizem respeito e têm impacto sobre todos nós”, diz o texto da encíclica.

Não é de espantar que até a Igreja Católica esteja voltando seus olhos e atenção para a questão da preservação do meio ambiente. Não é de hoje que a imprensa e grupos sensíveis à causa nos alertam sobre a importância e a urgência de gestos simples que podem salvar o meio ambiente. No documento assinado pelo papa Francisco, ele teme que o controle pela água por parte das grandes empresas mundiais termine por provocar uma guerra neste século! E não pensem que seu temor seja exagerado!

De toda a água existente no planeta, apenas 3% é doce, e a maior parte desse percentual está em geleiras. Mas o restante, se bem usado, pode abastecer a natureza e o homem. SE BEM USADO. Pelos cálculos da ONU, cada pessoa necessita de 5 litros diários de água para sobreviver em um clima moderado, e no mínimo 50 litros por dia para beber, cozinhar, banhar-se e usar em higiene. O consumo doméstico representa 10% do volume da água usada pelo homem. A indústria utiliza o dobro disso, e a agricultura, sete vezes mais. Por parecer abundante ou necessária, a água acaba por ser mal utilizada pelos homens. Gestos simples, como desligar a torneira ao escovar os dentes e não demorar muito no banho, acreditem, podem fazer muita diferença.

No documento do Vaticano, o papa Francisco culpou o homem pelo crescente e alarmante aquecimento global. ”Inúmeros estudos científicos relatam que a maior parte do aquecimento global das últimas décadas se deve à concentração de gases do efeito estufa (dióxido de carbono, metano, óxido de nitrogênio e outros) emitidos principalmente por causa da atividade humana. Se a tendência atual continuar, este século poderá testemunhar mudanças climáticas inéditas e uma destruição sem precedentes dos ecossistemas, com graves consequências para todos nós”.

Um relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), escrito no ano passado e considerado o mais completo e bem feito até hoje, diz que o impacto do aquecimento global será ”grave, abrangente e irreversível”. Nos próximos 20 a 30 anos, sistemas como o mar do Ártico estão ameaçados pelo aumento da temperatura em 2ºC. O ecossistema dos corais também pode ser prejudicado pela acidificação dos oceanos.

Aí você pensa: – Sim, mas o que eu, na minha casa, na minha comunidade, na minha cidade, posso fazer para evitar ou amenizar tudo isso? Será que realmente posso fazer algo de valia? A resposta dos especialistas é unânime: sim, você pode. E, mais uma vez, com gestos simples, como trocar a lâmpada comum por uma fluorescente compacta; plantar uma árvore (sabia que uma simples árvore absorverá cerca de uma tonelada de dióxido de carbono durante a vida dela?); reciclar, dirigir menos… E a lista segue com atitudes simples e bastante eficazes.

A educação ambiental deve começar desde cedo. Ela está garantida pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O artigo 225 diz que cabe ao Poder Público promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. Ela sozinha não é suficiente para resolver os problemas ambientais, mas é condição indispensável para tanto, e precisa do envolvimento e da participação de todos.

Cuidar do meio ambiente, hoje, é garantir que as futuras gerações usufruam do que ele tem a oferecer. Mais do que uma questão de educação e conscientização, a preocupação com o consumo consciente dos recursos esgotáveis do Planeta é uma questão de cidadania. Virou, após a publicação da encíclica do papa Francisco, uma questão religiosa! Sozinhos, fazendo nossa parte, podemos, sim, mudar o hoje. “A humanidade ainda possui a capacidade de trabalhar em conjunto para construir a nossa casa comum“, acredita o chefe da Igreja Católica.

*com colaboração da jornalista Nara Souto

*Publicada originalmente na Acrópolis Magazine 91.