A TECNOLOGIA E  A INFÂNCIA

A TECNOLOGIA E A INFÂNCIA

PSICOLOGIA_Crianças estão cada vez mais conectadas. Mas como saber se seu filho está “viciado” em tecnologia?

 

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Paulo sai de casa com a família para jantar. No meio do caminho, seu filho, Lucas, descobre que esqueceu o tablet e insiste para que o pai dê meia volta para buscá-lo, sob protestos e choros estridentes. Atire o primeiro iPhone quem nunca passou por essa mesma situação com o filho! Esse pequeno instrumento tem poderes fantásticos sobre a conduta e o humor do homem e da criança moderna. Poderes, às vezes, que o próprio usuário desconhece e, por isso, acaba por tornar-se refém, não só do celular, como também dos infinitos aparatos tecnológicos, cada vez mais presentes em nosso dia a dia. Essa angústia e essa ansiedade sentidas pela falta de estar conectado ao mundo, através de smartphones, tablets e demais instrumentos de comunicação, tem nome: nomofobia. E engana-se quem pensa que ela atinge apenas os adultos. Cada vez mais, os pequenos estão ficando reféns das novas tecnologias, usando-as indiscriminadamente.

Nascidos no período em que a internet é tão comum quanto a televisão — até mais, no universo de alguns deles —, os pequenos se assustam quando algo não pode ser acionado apenas com o indicador, e dão baile nos pais quando eles sofrem para conseguir encontrar alguma funcionalidade naquele aparelho de última geração. Eles usam WhatsApp para conversar com as mães, postam selfies no Instagram, e a grande maioria está no Facebook — mesmo sendo, teoricamente, proibido para menores de 13 anos!

A nomofobia ainda não é um verbete da literatura médica no Brasil, mas já cria polêmica. O termo, originário do inglês no-mo, ou no-mobile (sem celular), surgiu na Inglaterra, e caracteriza-se por um medo do indivíduo de ficar incomunicável ou desconectado. Quando o indivíduo, pelo fato de não ter à mão o seu celular, passa a ter uma forte sensação de perda de controle das situações em sua volta, como se nada pudesse acontecer sem ele, desenvolvendo um sentimento de insegurança que beira o estado de pânico, aí teremos a nomofobia, transtorno de ansiedade relacionado ao medo exagerado, incompatível e irracional, em relação a qualquer coisa. Nas crianças, ela pode manifestar-se por constante irritação ou inquietação na falta do tablet ou do celular, ou quando ela ignora qualquer coisa à sua volta para concentrar-se no “joguinho” ou no vídeo visto através desses aparelhos.

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria atestam que bebês com idade entre 0 e 2 anos não devem ter nenhuma exposição à tecnologia; crianças de 3 a 5 anos devem ter acesso restrito a uma hora por dia; e crianças de 6 a 18 anos devem ter acesso restrito a 2 horas por dia. Acontece que, hoje, as crianças e jovens usam a tecnologia em quantidade de 4 a 5 vezes maior do que a recomendada, o que está resultando em consequências graves e ameaças vitais, como pequenos perfeccionismos, com tendência a controlar tudo, e bruxismo. O uso patológico dos videogames já é mencionado na quinta edição do Manual Estatístico e Diagnóstico dos Transtornos Mentais, espécie de cartilha da psiquiatria. A “dependência de internet” está a um passo de se tornar a mais nova classificação psiquiátrica do século XXI.

Mas como saber se seu filho está “viciado” em tecnologia? Alguns sinais podem ser bem evidentes e característicos, como quando as relações pessoais, familiares e com amigos começam a ser prejudicadas pelo excessivo uso das tecnologias, ou quando a criança começa a mentir — até mesmo fingir que dormiu — para continuar com o tablet ou com o notebook. Preferir ficar em casa jogando videogame a participar de brincadeiras com outras crianças ou ir a um evento social também pode ser um alerta, assim como queda no rendimento escolar, irritação quando a internet cai ou a bateria do celular ou do tablet acaba, e dificuldades em realizar atividades essenciais, como tomar banho, comer ou até mesmo dormir.

A tecnologia pode ser, sim, uma aliada na educação e no desenvolvimento das crianças. Uma dica muito importante é estabelecer limites sempre! É fundamental que a criança saiba que existem regras e horários para uso. Não facilitar o manuseio de aparelhos tecnológicos também ajuda no controle, assim como não levar à mão da criança cada tecnologia nova que for lançada. Estimular a prática de exercícios físicos também é uma boa política para dar um descanso na tecnologia.

*Publicado originalmente na Acrópolis Kids 16.


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Elinaldo Quirino Leal | (83) 3225.8575
prof-elinaldo@hotmail.com