CUIDADOS COM OS INSETOS

CUIDADOS COM OS INSETOS

DERMATOLOGIA_O verão chegou e trouxe na mala muita praia, muita festa, muita brincadeira, muito sorvete, muita piscina e também… muitos insetos.

insetosMosquito é um assunto que ultimamente não tem saído da mídia, principalmente por conta da temível fêmea do mosquito Aedes Aegypti, transmissora da dengue, da zika e da febre chikungunya. Todo o mundo mobilizado para não deixar água parada e evitar a proliferação dos mosquitos. Mas… e os outros insetos? Como combatê-los?

As crianças, por apresentarem um sistema imunológico em formação, apresentam o que chamamos de “reação de hipersensibilidade” a antígenos existentes na saliva de insetos, também conhecido por prurigo estrófulo ou urticária papular. Quando uma criança suscetível se expõe a picada de um inseto, surge no local da picada uma bolinha que coça bastante, chamada de erupção papular crônica e/ou recidivante, pruriginosa.

Ora, todo o mundo sente uma vontadezinha de coçar, não é mesmo? Mas, nos pequenos que têm essa predisposição à reação alérgica, a apresentação da picada fica mais evidente, demora mais tempo e, às vezes, complica, gerando transtornos para os papais, mamães e, principalmente, para as crianças acometidas.

Alguns insetos são tão “sabidos” que, na hora de picar, injetam anestésico, anticoagulantes e enzimas digestivas, que são potencialmente antigênicas e podem provocar reações alérgicas. Geralmente, essas reações não ocorrem nos primeiros meses de vida do bebê, porque, para que a reação ocorra, é preciso que a criança esteja exposta a várias picadas de inseto, de forma que haja sensibilização ao antígeno. O tempo para essa sensibilização vai depender da exposição e do sistema imunológico de cada indivíduo.

A apresentação mais comum é o surgimento de pápulas (bolinhas) eritematosas (vermelhas) com distribuição linear e aos pares, demonstrando o hábito do inseto que provocou a reação. O número de lesões é bastante variável, e elas podem ser disseminadas e espaçadas. As urticas podem desaparecer em algumas horas, permanecendo as lesões características, como as papulovesículas (seropapula de Tomazoli) ou pápulas, com tamanho variando entre 3 e 10 mm, recobertas ou não por crostas hemáticas (casquinhas com sangue causadas pelo ato de coçar). As áreas mais afetadas são as partes expostas ao sol e não cobertas por roupas, como braços e pernas, principalmente quando os agentes causadores são “voadores”, como os mosquitos e pernilongos. O tronco é mais atingido quando os agentes causadores são “andadores”, como pulgas e percevejos, que podem ficar presos nas roupinhas, próximo aos elásticos de shorts e fraldas, e picar assim que encontrem um pedacinho de pele exposta. A remissão acontece em torno de um mês (4 a 6 semanas) e evolui para discromia pós-inflamatória, deixando máculas hipocrômicas (clarinhas) ou hipercrômicas (escurinhas), que melhoram após alguns meses, ou seja, a reação vai embora, mas a marquinha fica.

Para essa patologia, fica a dica dos três pp: Prevenção da picada, controle do Prurido e Paciência. Papais e mamães precisam entender que o diagnóstico é clínico, e que o fato de eles não apresentarem as bolinhas, bolhinhas ou marquinhas é porque já adquiriram tolerância, o que ocorre, em média, após os 10 anos de idade. Hidratar a pele é importante, utilizar repelentes é bastante útil, assim como instalar telas em casa, utilizar mosquiteiros e evitar a exposição em períodos críticos de alimentação dos insetos também são ações a serem consideradas no caso de crianças que apresentam o prurigo estrófulo. É bom lembrar que o repelente tem de ser aplicado por um adulto para que o produto não fique nas mãos da criança e seja levado à boca ou aos olhos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, o uso de corticoides tópicos de média potência melhora a reação local e reduz o prurido, devendo ser orientada a aplicação uma vez ao dia por até 5 dias. Anti-histamínicos podem ser prescritos quando forem muitas picadas ou quando as lesões alterarem o humor e o sono das crianças.

Unhas aparadas evitam escoriações e possíveis infecções secundárias. Após a fase aguda, as marquinhas que ficam não precisam de tratamento, bastando apenas manter a pele sempre hidratada e prevenir novas lesões. Se o verão é a melhor época para diversão, é também a maior época para prevenção. Proteção solar sempre! E que venham as férias!…

JALALA

Januária Queiroz | CRM 7365
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