PAPAI NOEL EXISTE? CONTAR OU NÃO CONTAR AOS NOSSOS FILHOS?

PAPAI NOEL EXISTE? CONTAR OU NÃO CONTAR AOS NOSSOS FILHOS?

PSICOLOGIA_Dizer ou não dizer para criança que o Papai Noel não existe? Essa é sempre uma pergunta que retorna à discussão todos os anos.

papai-noel_p Alguns pais acham que não devem “esconder” ou “mentir” para os seus filhos; outros acham que é importante deixar a criança viver sua fantasia até que, pelos seus próprios meios, abram mão desse encanto lúdico.

A psicologia entende que não se trata de mentir ou esconder nada, mas de permitir a vivência de um sonho. O ser humano nunca deve ser privado dos seus sonhos. No mundo adulto, eles são projetados para o futuro, mas, para as crianças, são vividos no presente de forma muito mais intensa e necessária, e esse fator se torna mais evidente no período natalino.

No mês de dezembro, o céu aveludado das noites parece ter mais estrelas brilhantes que em todas as outras épocas do ano. Para as crianças, essas estrelas descem do céu e se espalham pelas árvores, jardins e varandas, antecedendo a vinda de Papai Noel. A cada momento, parecem ouvir o barulhinho dos guizos das renas puxando a carruagem e o sorriso grave do “Bom Velhinho”. A profusão de cores e luzes enche de maravilhas o coração e a mente das pessoas, mas nem de longe consegue reproduzir os sonhos infantis das fantasias do Natal.

As fantasias na infância representam uma espécie de ponte, ou zona de transição, entre o caótico indiferenciado mundo do bebê e o mundo real dos adultos. Psicólogos do desenvolvimento afirmam que as fantasias e a imaginação antecedem e habilitam a criança para o saudável desempenho dos papéis sociais que elas irão ocupar no futuro. Como não tem condições de elaborar objetivamente muitas experiências do cotidiano e não tem uma autoidentidade definida, a criança transfere para um mundo imaginário e compreensível suas experiências mais complexas, representando-as de modo simbólico. Nesse contexto, como resposta à necessidade de desenvolvimento, a criança preenche as lacunas da sua falta de capacidade de compreensão para o seu mundinho lúdico, construindo fatos, coisas e pessoas mais acessíveis ao seu entendimento. Assim como os amigos imaginários, as fadas, as sereias, os dragões, os príncipes, as princesas e o Papai Noel são elementos importantes e indispensáveis para o desenvolvimento afetivo e cognitivo da criança.

A criança interage com o mundo por dois caminhos, um real e um imaginário, sem que lhe causem nenhum problema. Não devemos antecipar a fusão entre esses dois mundos até que, de forma lenta e gradual, a criança tenha adquirido maior capacidade de lidar com eles, pela aquisição dos seus próprios recursos emocionais e cognitivos, em que o intelecto e a imaginação se juntarão, produzindo espontaneamente a maturidade. Para isso, os pais devem ficar atentos para apoiar e orientar, e nunca desmanchar sonhos, nem provocar um choque entre esses mundos.

Alguns educadores, inadvertidamente, cometem esse erro, e tentam antecipar a descoberta que deveria ser feita pela própria criança, estragando essa linda fantasia. Na Inglaterra, na cidade de Royton, uma professora foi demitida após fazer 25 crianças, entre 6 e 7 anos de idade, chorarem ao lhes contar que Papai Noel não existia.

É importante que os pais expliquem o surgimento do Natal como uma das principais festas cristãs, pois comemora o nascimento de Jesus. Explicar ainda que, naquele tempo, os magos do Oriente presentearam Jesus com incenso, ouro e mirra, logo após o seu nascimento. Em seguida, expliquem o surgimento do Bom Velhinho que, no século IV, por ocasião do período natalino, num país gelado, também distribuía presentes para as crianças. Do contrário, muitos pais, tentando evitar essa presumida “concorrência”, são levados a ”desmitificar” prematuramente a fantasia do Papai Noel, que, embora seja secundária, deve preencher de maneira saudável a imaginação das crianças.

E se a criança perguntar sobre a existência de Papai Noel? Se ela tiver menos de 7 anos, explique usando uma linguagem lúdica, no modelo “era uma vez”, como você narraria um conto de fadas, aproveitando a ocasião para falar na linguagem dela sobre valores éticos e morais. Se ela tiver mais de 7 anos, explique de forma mais concreta, mas com um forte viés de fantasia.

Às vezes, as crianças já sabem que se trata de uma maravilhosa fantasia, mas retardam o comentário apenas para vivê-la mais um pouco. É importante lembrar que as crianças abrirão mão delas de forma espontânea, e, no momento certo, como é dito numa antiga canção natalina: “Eu pensei que todo mundo / fosse filho de Papai Noel / Bem assim felicidade, eu pensei / que fosse uma brincadeira de papel.”

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Elinaldo Quirino Leal | (83) 3225.8575 | prof-elinaldo@hotmail.com