QUEM BRINCA COM FOGO FAZ XIXI NA CAMA?

QUEM BRINCA COM FOGO FAZ XIXI NA CAMA?

DERMATOLOGIA_A médica Januária Queiroz conta os cuidados que devemos ter com as queimaduras, comuns nessa época do ano.

As festas juninas são sempre marcadas por comidas de milho, forró, fogos de artifício, fogueiras e… queimaduras. Que mal há em brincar São João? Nenhum, desde que haja supervisão e orientação de um adulto.

Fogos de artifício são um espetáculo à parte de cores e sons que fazem parte da nossa cultura, mas certamente alguém já se machucou ou ainda vai machucar-se com eles. Estourar uma “bombinha chilena” segurando nos dedos é algo típico de papais, mamães, titios e titias “rebeldes” que gostam de ostentar seu poder diante dos pequenos. Mas tudo o que apresenta pólvora pode representar um perigo para as crianças, que gostam de se aventurar e, principalmente, imitar os adultos. Uma bombinha chilena, um chuveirinho ou um simples traque podem machucar se não forem usados corretamente.

É também comum nesta época que alguns adultos se “aventurem na cozinha” para fazer as tão saborosas comidinhas de milho, em grandes panelas quentes com água fervente e conteúdo borbulhante. E o que falar sobre o delicioso milho assado na brasa da fogueira?

No dia seguinte, quando todos nós pensamos que o risco acabou e que “sobrevivemos” a mais uma noite de São João, descobrimos que as brasas da fogueira ainda apresentam sérios riscos de queimaduras… Mas o que fazer? Privar nossas crianças de participar de algo tão gostoso de nossa cultura nordestina? A resposta ainda é não, mas o cuidado tem de ser permanente.

Se mesmo com todos os cuidados, a queimadura acontecer, a primeira medida a ser tomada é lavar o local. Lembrando que não é necessário colocar água gelada, pois pode aumentar a área de lesão. Sim, gelo queima! Esqueça também a pasta de dente, a manteiga e as outras dicas culturais, porque elas podem piorar o quadro ou de nada adiantar, apenas causar ainda mais desconforto para as crianças.

Se a lesão for grave, é preciso ir ao hospital. É importante não remover a roupinha, caso haja contato de líquido quente que faça com que ela fique grudada no corpo. Usar um paninho molhado (limpo) até o atendimento médico ajuda a manter a área do corpo hidratada.

Considerando o grau de queimadura, os sintomas variam e as formas de cuidado também. As queimaduras consideradas de primeiro grau são aquelas que não ultrapassam a primeira camada da pele, ficam apenas vermelhinhas e que doem bastante porque não chegam a destruir as terminações nervosas livres que são responsáveis pela sensação de dor.

Quando a queimadura gera bolhinhas é porque atingiu a segunda camada da pele e, por isso, são chamadas de segundo grau, doem também, mas doem menos porque as estruturas que causam dor estão em parte presentes, em parte destruídas. É importante, nesses casos, não remover a pele da bolhinha, que vai funcionar como proteção e ajudar na formação da “casquinha” que se vai formar sobre a queimadura.

Já as queimaduras de terceiro grau são muito mais sérias, podem atingir camadas mais profundas da pele até músculos e nervos, e deixam sequelas muito mais graves.

Lembra-se da frase “Quem brinca com fogo faz xixi na cama!” que a gente ouvia quando criança? Se é verdade, eu não sei, mas, sinceramente, eu nunca quis arriscar! Brincar com responsabilidade é tudo de bom!

Fique atento – A Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) faz um alerta: as queimaduras são a segunda principal causa de morte em crianças de um a quatro anos de idade, só perdendo para os acidentes de trânsito. Anualmente, cerca de um milhão de pessoas sofrem queimaduras no país, e as crianças representam 2/3 das vítimas desse tipo de acidente no Brasil.

Depois do álcool, que lidera a lista das principais causas de acidentes com queimaduras em crianças no país, responsáveis por 41,3% das ocorrências, os chamados escaldos, provocados pelo contato com água fervente ou óleo quente, respondem por 33% dos casos. E 78% dos acidentes ocorrem dentro de casa!

*Texto publicado originalmente na Acrópolis Kids 14. 

Januária Queiroz 
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