CUIDADO COM A TOSSE, POR DAYSE QUEIROGA

PNEUMOLOGIA_ Que atire o primeiro frasco de xarope quem nunca acordou no meio da noite com uma crise de tosse, ou nunca se incomodou com os constantes “cof cof” da pessoa ao lado

A tosse é um mecanismo de defesa na remoção das secreções excessivas e dos corpos estranhos das vias aéreas. Mas o que muita gente desconhece é que ela pode ser mais que um desconforto: pode sinalizar uma doença mais grave.

Que atire o primeiro frasco de xarope quem nunca acordou no meio da noite com uma crise de tosse, ou nunca se incomodou com os constantes “cof cof” da pessoa ao lado!

A tosse é um mecanismo de defesa na remoção das secreções excessivas e dos corpos estranhos das vias aéreas. Mas o que muita gente desconhece é que ela pode ser mais que um desconforto: pode sinalizar uma doença mais grave. A tosse é desencadeada por estimulação de receptores localizados no aparelho respiratório, sejam esses estímulos inflamatórios, mecânicos, químicos, térmicos ou reflexivos.

Segundo a pneumologista Dayse Queiroga, todos nós tossimos em alguma época de nossa vida.

“O  importante é sabermos que a tosse sempre é um alerta de que algo não está bem com o sistema respiratório, e que precisamos descobrir o que está causando esse sintoma”, diz.  Existem dois tipos de tosse, classificada, quanto à duração, em aguda ou crônica. De acordo com Dayse Queiroga, a tosse aguda é aquela que tem duração inferior a três semanas, e a crônica, duração igual ou superior a esse prazo. A tosse aguda aparece mais em doenças como o resfriado comum, muito frequente em crianças, e, na maioria das vezes, é provocada pelo rinovírus. “Outra causa frequente de tosse aguda é a pneumonia, sintoma que é acompanhado da eliminação de secreção purulenta, de febre e dor torácica e, algumas vezes, dificuldade para respirar. Ainda há outras situações não muito comuns de tosse aguda, como sinusite, laringite, bronquiolite, inalação de gases irritantes, estímulos térmicos, como o ar muito frio ou muito quente, entre outras”, explica Dayse.

Já a tosse crônica apresenta, como causas principais, gotejamento pós-nasal, refluxo gastroesofágico e hiper-reatividade brônquica.

“É o caso, por exemplo, da criança que sempre está tossindo e cujos pais não sabem mais o que fazer, pois a tosse noturna é muito frequente, atrapalhando o sono da criança e deles próprios. Na tosse pelo refluxo gastroesofágico, encontramos criança que tem diversos acessos de tosse durante o dia e à noite, especialmente ao deitar e após a ingestão de alimentos, principalmente nas refeições maiores. Já a tosse por hiper-reatividade brônquica se manifesta como tosse persistente, irritativa, e que pode ser  acompanhada de chiado no peito e falta de ar. É importante, nesse caso, fazermos o diagnóstico diferencial entre essas várias situações”, completa a pneumologista.

Além dos fatores supracitados, a criança ainda pode ter uma crise de tosse por conta da aspiração de corpo estranho, como, por exemplo, caroços de feijão ou de arroz, ou, em situações mais graves, pequenas peças de brinquedos, moedas, entre outros.

“Tive um caso de uma paciente de cinco anos de idade que apresentava tosse frequente, e sua mãe a vinha tratando por conta própria com antitussígenos, mas não melhorava. Só  então ela resolveu procurar o atendimento médico, e o diagnóstico logo foi encontrado, tratando-se da aspiração de um dente, visto que a criança estava na época de troca dentária, estava com um dente amolecido e não queria retirá-lo.

Depois que o dente caiu sozinho, a mãe achava que a criança o tinha engolido, mas o que aconteceu, na verdade, foi a aspiração do dente para dentro do brônquio, e sua retirada foi feita por broncofibroscopia”, conta Dayse. A tosse comum pode ser um reflexo normal do organismo a mudanças ambientais ou o sinal de uma doença séria, como o câncer de pulmão. Por isso, esse sintoma nunca deve ser desprezado, pois é sempre uma manifestação de que algo não está bem, e que precisa ser mais bem avaliado. “Em todos os casos, se a tosse persistir, a primeira coisa que se deve fazer é ir ao médico. Sempre!”, finaliza Dayse.

*Texto publicado, originalmente, na Acrópolis Kids 07