VITILIGO, POR JANUÁRIA QUEIROZ

DERMATOLOGIA_O vitiligo é uma doença dermatológica adquirida, caracterizada por uma destruição seletiva de células que produzem o pigmento e dão cor à nossa pele, chamadas de melanócitos

Apesar de os dados epidemiológicos apontarem uma prevalência de 1% a 2% na população mundial, o vitiligo é uma patologia que, devido ao seu impacto visual, é bem conhecida pela população.

Não há preferência por sexo ou por raça, e a doença pode surgir em qualquer idade, mas a metade dos casos se inicia antes dos 20 anos, com uma relação familiar em 30% dos casos. Também não há uma causa definida para o surgimento do vitiligo.

Algumas hipóteses tentam explicar essa patologia, que pode estar associada a várias doenças sistêmicas, como doenças autoimunes, doenças com comprometimento neurológico ou simplesmente melanócitos defeituosos que sofrem a ação de toxinas e são destruídos.

As lesões típicas no vitiligo são manchas acrômicas (sem pigmento), apresentando aspecto irregular com bordas arredondadas que variam de poucos milímetros a muitos centímetros, e podem surgir em qualquer parte da pele e dos pelos (quando recebe o nome de poliose).

As manchas classificam-se em focais, quando apresentam poucas lesões numa mesma área;  segmentares, quando confinadas em um mesmo dermátomo (área de inervação comum); generalizadas, quando apresentam simetria corporal (dois lados do corpo — tipo mais comum); e universais, quando poupam apenas poucas áreas. Geralmente, surgem de maneira súbita e progridem até estabilizarem. É importante lembrar que as lesões não são contagiosas.

O diagnóstico do vitiligo é clínico, e pode ser auxiliado pelo uso da lâmpada de Wood, que evidencia áreas acrômicas (sem cor) em pele clara. O exame histopatológico pode ser feito nos casos de dúvida, demonstrando ausência dos melanócitos. O tratamento da doença, infelizmente, ainda é um desafio para o médico, e tem como base o uso regular de fotoprotetores para evitar queimaduras solares que podem dar origem a novas lesões por um fenômeno conhecido por Koebner, que é o aparecimento de lesões pós-trauma em áreas de pele normal.

A opção por fotoprotetor color base é uma boa pedida para a “camuflagem” das lesões, diminuindo o contraste entre pele lesada e pele sã e, ao mesmo tempo, protegendo a área atingida.

O tratamento é individualizado, e precisa ser iniciado o mais precocemente possível para minimizar a destruição de melanócitos. Como opção,  temos: corticoides tópicos, utilizados principalmente em lesões isoladas; imunomoduladores, que, como uma alternativa ao tratamento com corticoides (alta potência), apresentam, em geral, vários efeitos colaterais; fototerapia com raios ultravioleta, associada a psoraleno ou furocumarínicos (substâncias que absorvem a radiação);  fitoterápicos, como a tintura de bergamota e o extrato de Brosimum gaudichaudii (com psoralenos e bergaptenos naturais); além de laser com feixes direcionados e de cirurgia com microenxertos de pele sã que vão estimular a área despigmentada a retomar a sua cor original.

Combinar modalidades de tratamento é muito comum, até mesmo associando tratamento oral, feito de maneira simultânea ou sequencial, com o intuito de obter o melhor resultado possível, embora a repigmentação completa não seja possível em todos os casos.

*Texto publicado, originalmente, na Acrópolis Magazine 88